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2005/11/11

De novo as pílulas 


Quem diria que, pouco mais de dois anos depois do meu revoltado post contra a protecção estatal ao negócio das farmácias, chegaria esta notícia de há dois dias informando que isto vai acabar já no próximo ano? É verdade, o Ministro da Saúde vai liberalizar a abertura das farmácias. Até que enfim: com maior concorrência os preços dos medicamentos baixarão, em benefício das pessoas pobres, e os valores de trespasse das farmácias cairão drasticamante, em prejuízo dos já muito ricos proprietários.
Viva os políticos que às vezes lá tomam uma boa medida, nem que seja por uma mesquinha razão de vingança pessoal. Diz o povo: ... escreve direito por linhas tortas....

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2005/10/31

Morrer antes do tempo 


As maiores causas de morte em Portugal são as doenças cardio vasculares, o cancro colo-rectal, o cancro do pulmão, o cancro da mama, o cancro do colo do útero e o cancro da próstata. Antes de morrerem, muitos dos que morrem por estas causas sofrem imenso e têm custos sociais e financeiros enormes para a sociedade. Os números em questão, milhares todos os anos, poderiam ser drasticamente reduzidos com medidas simples e de relativo baixo custo financeiro para a comunidade (não esqueçamos que em Portugal todos os cidadãos têm direito à prestação de cuidados de saúde tendencialmente gratuitos).Bastará investir na prevenção. Vejamos caso a caso:
  1. Doenças cardio-vasculares: Programas intensivos como objectivo de reduzir o número de fumadores (publicidade aos malefícios do tabaco, proibição de fumar em bares, restaurante e outros espaços fechados, como o fez recententemente a Irlanda, por exemplo), programa de redução dos níveis de sal na alimentação, programa de alimentação saudável, programa de controle analítico do colesterol, com particular incidência nas idades e pessoas de risco, etc.;
  2. Cancro colo-rectal: Programa de realização de colonoscopias aos doentes de risco e com mis de 50 anos;
  3. Cancro de pulmão: Programa de redução do número de fumadores, programa de realização de radiografia do torax às populações de risco;
  4. Cancro da mama e do colo do útero: Programa de controle de todas as mulheres a partir de determinadas idades, com recurso a mamografias e exames citológicos (Thinprep);
  5. Cancro da prótata: com uma simples visita ao médico e um conjunto de exames simples e baratos realizados a partir de certa idade, conseguir-se-ia o diagnóstico precoce deste cancro e a cura da quase totalidade dos doentes.
Toda a gente sabe isto ao nível dos gestores de sáude, especialmente dos altos dirigentes governamentais. Perguntarão os menos avisados: então, se é bom e barato, porque não se faz? Simplesmente porque isto só produz grandes resultados a médio prazo e as eleições são cada quatro anos. Pois... os políticos preferem gastar os recursos disponíveis no que dá resultados imediatos: mais camas, mais medicamentos, mais pessoal de saúde para tratar os novos que aparecem doentes. Já repararam que nosúltimos anos não tem havido uma única campanha de medicina preventiva como houve várias em tempos? Só se fala é em construir mais hospitais,etc., etc..
Mais uma vez, o dinheiro distingue as pessoas: quem tem meios informação faz tudo o que disse acima. Quem vive do trabalho assalariado com o dinheiro contado não tem acesso, porque os serviços públicos não lho permitem. Evidentemente que, mesmo nesta situação de falta de equidade, as coisas poderia ser bem melhores para os de maiores posses: se muitos fossem mais bem informados utilizariam o seu dinheiro nas medidas de prevenção e morreriam mais tarde.
Um doce a quem adivinhar quem são os incompetentes....

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2005/08/18

Negócio de lumes 




Isto dos incêndios é mais uma excelente ilustração da desorganização que grassa no nosso país. Vejamos:
  1. Todos os anos se gastam milhões de euros com o combate, estando este transformado numa poderosa indústria económica. Os grandes beneficiários são a indústria de aluguer de meios aéreos, os fabricantes e comerciantes de mangueiras, extintores, carros de combate e outros acessórios, os milhares de dos bombeiros “voluntários” assalariados sazonalmente, a industria de celulose e madeireiros associados e, finalmente, mas não menos importante, as empresas de televisão rádio e jornais (se não fosse a volta a Portugal em bicicleta e os incêndios, onde é que arranjavam notícias?)
  2. A totalidade da despesa deste combate é paga pelos nossos impostos e ano após ano isto repete-se, cada vez com mais área ardida e mais dinheiro gasto. Fala-se e gasta-se muito nestes dois meses de verão, mas depois fica tudo muito quietinho 10 meses que se seguem.
  3. Sabe-se (vê-se) que os grandes incêndios incontroláveis só ocorrem nas áreas em que as matas têm mato altíssimo, o qual funciona com combustível acelerador nos dias muito secos de Julho e Agosto.

Parece que seria muito fácil afectar antecipadamente, durante o inverno e primavera, uma parte do dinheiro gasto no combate para, com a supervisão das juntas de freguesia e, com recurso a empreitadas com entidades privadas, proceder-se à limpeza e asseiramento das matas públicas e privadas. Quanto emprego não se gerava ao longo do ano e quantos milhares de hectares ardidos não se poupariam todos os anos...

Sabem o que se faz aqui ao lado em Espanha? Porque será que os resultados deles são excepcionais se comparados com os nossos?

Quem ganha e quem perde com situação actual no nosso país?

Que competência há nestes políticos que nos têm governado nos últimos anos? Onde está o serviço público de televisão que podia alertar e educar a população para esta situação? Porque estão caladas as universidades deste país que têm departamentos especializados em florestas?

Enfim, continuamos todos a assobiar para o lado como se nada se passasse. Ninguém quer chatisses. Todos gajos porreiros!


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2005/08/17

Cobradores de impostos 


Os nossos cobradores de impostos são como aqueles caçadores muito ricos e preguiçosos que só caçam parados nas portas à espera que os animais ali passem para os abaterem. Pois..... é fácil e não dá trabalho. É fácil andar atrás dos trabalhadores por conta doutrem, que, coitados, não fogem ao pagamento dos ditos, e assim passam o tempo a verificar aqueles recibinhos das despesas com saúde, das despesas com educação, etc. E pronto, justificam a sua existência, porque de vez em quando lá encontram um pobre que se enganou e meteu nas despesas um recibo duma despesa de farmácia que não era elegível. Grande trabalho: pouparam/ganharam uns euros ao fisco. Do que dá trabalho e aborrecimentos fogem como o diabo da cruz: fiscalizar os profissionais liberais, os pequenos e médios comerciantes e empresários (estas empresas dão quase todas prejuízo na contabilidade, e por isso não pagam IRC, mas os sócios ostentam sinais de riqueza escandalosos!).

Quando eu vir este novo Director Geral dos Impostos atacar o problema por este lado e não pelo tradicional, então, sim, direi dele: que gajo porreiro! É preciso que os cobradores sejam como aqueles caçadores da caça à perdiz, que para abaterem uma, têm, muitas vezes, que correr montes e vales.


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2005/08/15

Voos baratos 


Já há algum tempo que utilizo com regularidade nas minhas viagens de lazer as companhias de voos de baixo custo (low cost). Utilizei duas vezes a Ryanair do Porto a Londres e volta e recentemente do Porto ao Oeste da Irlanda com passagem por Londres; utilizei outras duas vezes a Maersk Air em viagens de ida e volta de Paris a Billund e de Amsterdam a Billund; em Novembro passado na Austrália fiz as viagens internas (4) na Virgin Blue e na Jet Star. Até agora as minhas experiências têm sido excelentes, não só pelo obviamente baixo preço que pago, mas também pela pontualidade e adequação do nível de serviço ao esperado. Em todos os casos voei dentro dos horários, em aviões de geração recente e com tripulações tão profissionais como as das companhias ditas de bandeira. Afinal a grande diferença está no facto de não nos fornecerem comida gratuita a bordo. Será caso para dizer: com preços destes, quem vai para o ar avia-se em terra. E tem ainda o conforto da compra do bilhete na internet, sendo que o truque para se obter o melhor preço é comprar com pelo menos dois meses de antecedência. Felizmente que há cada vez mais pessoas a utilizar estas companhias, o que é importante para que este negócio se mantenha ao serviço dos consumidores. Caso exemplar é o da Ryanair que já voava de faro para Dublin e que agora está a voar duas vezes por dia do Porto para Londres (em Outubro vai também voar diáriamente para próximo de Frankfurt e Luxemburgo). Foi muito engraçado ver a TAP e British Airways a baixarem drasticamente os preços dos bilhetes Porto-Londres para ver se espantavam a Ryanair do Porto e poderem depois continuar com preços altos acordados. Mas a coisa correu-lhes mal: os voos da Ryanair andam cheios e é a British que vai acabar com os voos Porto-Londres no próximo Outono, porque está sem clientes. Na Austrália os voos internos eram caríssimos até ao aparecimento da Virgin Blue. A Qantas, grande companhia internacional, que era até aí quase monopolista, foi mais inteligente e criou rapidamente uma companhia de low cost, a Jet Star, que compete com a Virgin em muitos dos percursos. Quem beneficiou foram os consumidores, sendo hoje possível ir de Melbourne à Tasmania e volta (1 hora de voo em cada sentido) e de Sydney a Cairns e volta (4 horas de voo cada sentido) pelo preço que se paga na TAP/Portugália por uma ida e volta Porto- Lisboa (45 minutos cada percurso).
E se os céus das nossas ilhas atlânticas fosse aberto a estas companhias, quanto é que passaria a custar um voo do Porto ou Lisboa a Ponta Delgada?
Porque será que os maiores centros europeus de companhias low cost estão nos aeroportos à volta de Londres e esta cidade recebe todos os dias milhares de passageiros em turismo, com o consequente movimento de transportes, hotelaria, lojas de vestuário, teatros, etc.?

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A Irlanda 10 anos depois 




Em Junho passado voltei ao Oeste da Irlanda, 10 anos depois de ali ter passado uma semana em turismo(há 12 anos tinha passado outra semana na região de Dublin e do sul). Agora Estive na região do rio Shannon, no Buren, na Conemara e nas cidades de Limerick, Galway e Wesport. Viagei do Porto para Londres na Ryanair e daqui para Shanon, com regresso de Knock, também via Londres, tudo isto por 100 euros!, já com taxas incluídas (hei-de escrever um texto sobre as minhas boas espariências em companhias de voos de custo reduzido).
Pelos os indicadores da economia, da educação e de tudo o resto já nós sabemos que a Irlanda nos passou a perna há muito e que é hoje um dos países da UE com a economia mais desenvolvida, resultado do aproveitamento correcto dos fundos comunitários de que, tal como Portugal, beneficiou. Mas o que é que se vê quando se passeia por lá? O que é que mudou visivelmente na vida dos irlandeses nestes 10 anos? O nível da habitação melhorou drasticamente, mesmo nas zonas rurais: desapareceram as velhas pobres casas rurais e as das periferias das cidades,mas dificilmente se vêm " mansões" de ostentatórias de novo riquismo . Não há (já não havia há 10 anos) barracas a servir de habitação a seres humanos. A frota automóvel é nova, mas de gama média: é muito difícil ver um Porche os Mercedes são raridades. A informação turítica está muito mais profissional e desenvolvida, notando-se que é uma industria importante na economia do país: há campos de golf por toda a parte, redes de novos hoteis e sobretudo BB's de excelente qualidade e bom preço, os monumentos estão bem conservados e bem sinalizados, as pessoas continuam a ser muito simpáticas e disponíveis para ajudar o turista, os restaurantes são agora muitos e com excelente comida e cozinha local, os Pubs continuam magnificos no seu ambiente e decoração e a música local na rua e nos pubs mantém um ambiente de natural boa disposição. Não vemos industrias poluentes, mas antes complexos de industrias de novas tecnologias. Por todo o lado, em todos os aspectos da vida, se sente uma sociedade que está mais rica, que soube aproveitar muito bem a oportunidade que lhe foi proporcionada com a adesão à UE, mas que continua a manter um grande equilibrio na distribuição da riqueza. Confirma-se o segredo do sucesso deste país, periférico e pobre com nós em recursos naturais : investiram desde sempre muito na educação e foram estes cidadãos educados que souberam escolher os dirigentes políticos competentes para os levarem a uma vida muito melhor.
Pois.... é este o nosso grande problema! Como e quando é que teremos eleitores capazes de correr com esta geração que anda na política e escolher os que são capazes de nos levar por outros caminhos? Será que ainda iremos a tempo?

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2005/08/11

Morrer na estrada, parte 2 


Finalmente, tanto tempo depois do que escrevi na parte 1 deste título, chegou um Secretário de Estado que resolveu não gastar rios de dinheiro com as inutilidades da PRP e outras organinazações que tais. Espero que vá até ao fim e desvie o caudal para o sítio certo: não esqueça os resultados da "tolerância zero" no IP 5 enquanto ela foi devidamente aplicada. Pergunte como é que outros países diminuiram drasticamente o número de acidentes e de mortos. Veja, por exemplo o caso dos EUA: foi com a diminuição da velocidade e com a aplicação dura da lei. Só. E os cidadãos gostaram. Ascenso Simões, é muito simples obter bons resultados e com eles o agradecimento dos cidadãos nas urnas de voto. Já agora, seja revolucionário também no combate aos incêndios e canalize os milhões que se gastam na poderosa máquina de combate ao fogo para a prevenção, nomeadamente na limpeza das florestas.

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2003/10/05

Pílulas porreiras (PP) 


O melhor negócio deste país é provavelmente o das farmácias. O grave é que a esmagadora maioria da fortuna dos farmacêuticos é realizada com a venda de medicamentos aos utentes do SNS, uma parte dos quais é paga pelo estado com os impostos de todos os cidadãos.
Sabe-se que a margem de lucro na venda da generalidade dos medicamentos co-participados ronda os 30%. Sabe-se que a abertura duma farmácia depende de autorização do estado, ao abrigo de legislação que restringe o seu número por zona de acordo com o respectivo número de habitantes. E aqui está como o negócio está garantido em quantidade e em qualidade. Quem não conhece os valores astronómicos que atingem os trespasses das farmácias?
O que ganharíamos se fosse produzida legislação a liberalizar a abertura de farmácias, obrigando apenas a que a propriedade e a direcção técnica fosse de farmacêuticos e que em todo o período de funcionamento estivesse presente pelo menos um farmacêutico responsável pelo aviamento do receituário? Se assim fosse o número de farmácias em cada localidade subiria vertiginosamente levando a que a concorrência normal do mercado conduzisse à descida dos preços de venda. O estado poderia para cada localidade abrir um concurso para fornecimento de medicamentos co-participados. Não há dúvidas que a margem de lucro que hoje é de 30% baixaria então 20 ou 25 pontos. Para a globalidade da despesa do estado isto representa centenas de milhões de euros.

Pois é, anda o ministro Luís Filipe Pereira ocupadíssimo a alterar a legislação de gestão dos hospitais, pensando que vai poupar muito por aí, quando afinal, com uma medida tão simples poderia obter ganhos maiores muito rapidamente.
Então, os governantes são todos estúpidos? Claro que não. Mais uma vez, os políticos fogem das medidas fortemente polémicas de ataque aos interesses dos muito poderosos.
País de políticos porreiros….

Rastejantes 

O futebol nacional é bem a imagem do que se passa no resto da sociedade. Se compararmos o comportamento em campo dos nossos jogadores com o que se vê nos jogos da liga espanhola, inglesa e italiana, verificamos que eles passam imenso tempo deitados na relva, simulando fortes lesões, obrigando à entrada em campo das equipas médicas, para logo de seguida se levantarem e correrem como se nada tivesse acontecido. E, assim, o que devia ser um espectáculo de 90 minutos, está transformado em algo como 40 a 50 minutos de jogo, geralmente feio. No fundo, o comportamento destes jogadores corresponde ao daqueles trabalhadores que metem baixa por doença com muita frequência, apenas porque não se querem cansar muito a trabalhar. E tal como para estes há sempre um conivente (o médico que lhe dá a baixa), também a liga de futebol é culpada da situação, no caso do espectáculo futebolístico. A congénere liga inglesa avisou rápida e energicamente dois futebolistas portugueses que na presente época estão a jogar por lá e que começaram a ter o comportamento rastejante a que estavam habituados em Portugal: meus senhores se continuam a simular faltas serão severamente punidos.
O grave disto tudo é que há milhares de pessoas todas as semanas a assistirem a este espectáculo e a serem influenciadas por este modo de estar na vida: os que deviam dirigir não dirigem e os que deviam trabalhar não trabalham. Todos gajos porreiros, ninguém se chateia com ninguém.

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2003/10/04

Calaceiros e heróis 


O Dux Veteranorum é a expressão suprema do nacional porreirismo que aceita alegremente que um cidadão em idade produtiva circule anos a fio numa faculdade sem passar de ano e muitas vezes sem fazer uma cadeira, demorando sete, oito, dez e muitos mais anos a concluir um curso de quatro ou cinco. Estes tipos são venerados pela academia como heróis! Como é que a sociedade pode tolerar que a maioria destes cidadãos-estudantes-universitários-públicos, adultos, passem a maior parte do tempo a fazer tudo menos aquilo que deveriam, ou seja, estudar? Primeiro as aulas começam tarde e as férias são enormes; depois é a praxe que os ocupa dias e noites seguidos em brincadeiras que não lembram ao diabo; depois aprende-se a não ir às aulas e a andar na boémia; e num ápice termina o primeiro semestre, que, afinal, não chega a ter três meses de aulas; em Janeiro e Fevereiro há exames. Em seguida vem o segundo semestre, que tem no meio a queima das fitas, a qual se traduz em várias semanas de inutilidade, quer antes quer depois da dita. Antes só se pensa nela e depois cura-se o corpo dos desmandos.
Salvo raras excepções, as faculdades portuguesas são verdadeiros centros de iniciação e treino de quadros para uma vida sem hábitos de trabalho. Se pensarmos que esta gente vai preencher os lugares de chefia, direcção e administração a todos os níveis na sociedade portuguesa, veremos bem uma das causas do nosso estar na cauda do que é positivo e na dianteira do menos bom.
Mas o estudante universitário incumpridor dos seus deveres, divertido, boémio e folgazão, continua a ser olhado com carinho pela outra parte da sociedade. Afinal, estamos numa situação idêntica à
da fuga aos impostos, sobre a qual fiz um blog há semanas. Somos uns gajos porreiros…..

E lá fora, na Europa desenvolvida e nos EUA, como é? Os estudantes universitários andam todos surumbáticos, stressados com o trabalho e com as avaliações, vivem fechados nas residências a estudar dia e noite, não convivem, não gozam a juventude? Claro que não.... Fazem tudo o que devem em termos da sua principal ocupação, estudar, preparando-se para serem os futuros dirigentes da sociedade. Vivem e gozam no tempo certo a sua juventude, mas nas férias e perídos de lazer. Vão muito mais longe do que os nossos estudantes: em muitos países a maioria dos alunos tem pequenos empregos em part-time que lhes permitem amealhar dinheiro para as suas viagens de férias ou outras actividades (em Portugal qualquer um que tenha um destes part-times é logo visto pelos restantes como um zé pobretanas, um coitado). Estes estrangeiros têm geralmente muito boas condições de trabalho nas faculdades, mas as famílias não lhes dão desde muito novos tantas benesses como no caso dos portugueses, nomeadamente mesadas chorudas, carro próprio, etc.. Seguramente a sociedade não paga para um indivíduo andar anos e anos a chumbar na faculdade e ainda ser admirado como um herói...

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Propineiros 


De tempos a tempos lá temos nós que recordar que os estudantes portugueses das universidades públicas quase não pagam propinas para estudar. Isto quer dizer que todos os que pagam impostos é que financiam o ensino destes senhores, mesmo quando a esmagadora maioria deles tem carro próprio com que se desloca para a faculdade, frequentam discotecas e bares onde uma noitada custa mais do que a propina dum mês, vestem boas roupas de marca, etc.. Quando há um governo que medrosamente quer moralizar um bocadinho esta situação aí estão eles na rua com ampla cobertura dos telejornais a cuspir vitupérios contra o ministro, apregoando a sua incapacidade para pagarem. O mais grave no meio disto tudo é que a comunicação social não faz uma análise crítica deste assunto, outrossim apresenta as notícias secamente, deixando a generalidade da opinião pública cheia de pena dos estudantes. Pois é, a agitação estudantil é sempre um campo privilegiado de notícias num país onde elas não abundam. Por isso, quanto mais melhor….

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2003/09/08

Fugitivos, ricos e reconhecidos 

Todos os que roubam o Estado são bem vistos na sociedade. Quem não conhece ricos comerciantes ou profissionais liberais que fazem parte da sua fortuna através da fuga aos impostos (IVA, IRC)? E não é verdade que na esmagadora maioria das situações são pessoas a quem a sociedade local dá posições de destaque e às vezes até comendas? E como é que ninguém se questiona sobre a possibilidade destes senhores enriquecerem com empresas que sistematicamente apresentam prejuízos? E porque é que ninguém denuncia estes senhores? E porque será que nos países mais ricos do que o nosso se passa tudo ao contrário?
Cá por mim, desde há um tempo para cá, adoptei um método simples de não colaborar neste nacionalporreirismo: peço sempre factura de tudo o que compro, seja um fato, uns sapatos, um almoço, uma peça de mobília, embora não me sirva para nada em termos de impostos. Só ainda não ganhei coragem para pedir facturas dos cafés e das Águas das Pedras..... Mas hei-de lá chegar. E se todos passássemos a fazer assim? Já viram a quantidade de empresas que passavam a pagar impostos? Já pensaram como o Estado poderia reduzir os impostos dos trabalhadores por conta doutrem, que hoje são autenticamente abusados nesta matéria? Ou, não reduzindo, melhorar os serviços que presta?
E se a Ministra das Finanças perdesse o medo das associações de comércio e decretasse algo deste género: ao rendimento bruto declarado pelas famílias para efeitos de IRS serão deduzidos 500 euros por elemento do agregado familiar, mediante a apresentação de facturas comprovativas de despesas com vestuário, calçado e mobiliário. E atenção porque já hoje há esta dedução no cálculo do montante a pagar de IRS (não sei o nome técnico nem o montante), mas sem apresentação de qualquer documento de despesa.
Sempre um país de gajos porreiros....

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A paixão da educação 

Uma escola secundária oficial em Portugal em 2003: a limpeza geral diária é realizada por uma empresa especializada; há vários contínuos, que agora se chamam auxiliares de acção educativa (AAE), que abrem portas, fecham portas, marcam faltas aos professores, “tomam” conta dos alunos, colocam giz nas salas de aula, etc.; as aulas duram 50 minutos em teoria, porque na prática duram 45 - sempre se aproveita para entrar no “toque a feriado” (felizmente que já há escolas em Portugal a adoptar o regime de intervalo único por manhã ou tarde) ; para a maioria dos alunos as aulas são um intervalo entre dois jogos de futebol – chegam à aula cansados, transpirados e desconcentrados e já a pensarem na continuação do jogo ou da luta que suspenderam com o toque de entrada. Vista geral da escola: chão geralmente sujo, dificuldade em encontrar um AAE quando ele é necessário, os alunos atiram com o lixo para o chão, porque há alguém para pago para limpar, os índices de aproveitamento são baixos.
Uma escola de igual nível na Republica da Irlanda: numa escola de Dublin vi que para 600 alunos há apenas um empregado geral em serviço em cada momento; cada turma tem a sua sala de aula – quem muda de sala são os professores e não os alunos; durante a manhã ou durante a tarde há apenas um intervalo para recreio; em cada turma há uma escala rotativa de alunos que se encarregam da limpeza da sua sala; para a limpeza das áreas comuns da escola há uma escala rotativa anual identificando para um determinado período a turma que se encarrega dessa tarefa. Vista geral da escola: limpeza impecável quer nas salas quer nas áreas comuns; não há grupos de contínuos pelos corredores a conversar ou a fazer malha; os alunos assistem e participam disciplinadamente nas aulas; os índices de sucesso são elevados.
As grandes consequências destes dois sistemas: uns aprendem de pequeninos que cada um deve ser responsável pelo ambiente que o rodeia, os outros aprendem a deitar lixo para o chão e assim seguem pela vida fora (vejam as bordas das nossas estradas, vejam as nossas praias); uns vêem que a escola é sobretudo um lugar de aprendizagem, os outros vêem a escola como um lugar somente de diversão e assim seguem pela vida fora com poucos hábitos de trabalho; uns serão cidadãos bem formados cívica e profissionalmente e o seu país será procurado pela excelência dos recursos humanos, enquanto os outros terão trabalho em industrias de mão de obra barata e pouco qualificada; uns terão uma vida cultural e económica de nível elevado e os outros dificilmente melhorarão a sua situação em relação à geração que os antecede.

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2003/08/31

Copiar o que é bom 

Vejam no Público de 30 de Agosto a notícia dum inquérito aos utentes sobre a satisfação com os seus centros de saúde. Um deles, o de S.João, no Porto, é referido como dos melhores, com grande nível de satisfação dos seus utilizadores. Tenho a mesma opinião, é um caso de sucesso, porque não se utiliza o mesmo modelo nos restantes?
Voltarei a escrever sobre este assunto logo que disponha de mais um tempinho.

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2003/08/30

Gestores eleitos 

As escolas estatais do ensino básico e secundário são geridas por gestores, leia-se professores, eleitos periodicamente pelos seus colegas e empregados da escola (os representantes dos pais também votam, mas estão em minoria). Será que a maioria dos eleitores deste sistema vota num professor/gestor que se prevê ser muito exigente no desempenho do seu papel de direcção neste país de nacional porreirismo? E quando se enganam na previsão, será que o elegem para um segundo mandato? E o eleito para um primeiro mandato se quer ser eleito uma segunda vez pode dar-se ao luxo de tomar as medidas correctas, mas muitas vezes impopulares para os colegas nacional porreiristas? Porque será que nas escolas privadas não é assim?
Atá há pouco tempo este sistema de eleição de gestores vigorou também nos hospitais públicos portugueses, para os directores clínicos e enfermeiros directores, enquanto membros do conselho de admninistração, que é o orgão máximo de gestão hospitalar. Este sistema foi demagogicamente ressuscitado pelo governo Guterres, apenas para agradar a dois grupos profissionais da saúde. Obviamente que isto não se via em nenhum país civilizado e os resultados (maus) foram, duma forma geral, os esperados. Felizmente o actual governo acabou com este escândalo, que fez estragos durante muitos anos.
Ora aqui está como em dois sectores essenciais da vida do nosso país funciona ou funcionou o nacionalporreirirmo!

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2003/08/29

Morrer na estrada 

O Trânsito e o medo de tomar medidas
Porque será que se gasta tanto com as campanhas publicitárias da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), sendo certo que os seus efeitos são quase nulos? Não será muito mais eficaz utilizar os métodos da “tolerância zero” que tanto sucesso teve no IP 5 enquanto foi levada a sério pelas autoridades? O orçamento da PRP daria para pagar quantos mais polícias na estrada? Quem é que ainda consegue ouvir e levar a sério o eterno Presidente da PRP falar com ar sisudo de mais campanhas de prevenção, sabendo-se que os resultados das anteriores foram claramente nulos?
A diminução de custos com sinistros para as companhias de seguros não seriam suficientes para serem estas a financiar os custos acrescidos das nova "tolerâncias zero"? E quantas camas hospitalares não seriam libertadas para serem utilizadas por doentes que estão em lista de espera?
Cá para mim, a razão profunda para a não tomada de medidas reside no medo que os políticos têm da impopularidade que elas possam ter. Só depois de muito pressionados pela comunicação social, leia-se TV, é que a tolerância zero do IP 5 foi posta em prática pelo governo de Guterres. Foi necessário, na altura, ter morrido um familiar do actor Jacinto Ramos, e este ter conseguido um grande destaque noticioso para a mortandade no IP 5, para que o medroso governo tomasse medidas.
Pelos vistos o medo da impopularidade depressa regressou aos políticos.
Dirigentes deste país, mexam-se! Façam aquilo que é necessário! Este nacionalporreiro é criminoso!


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